Eram tempos diferentes. Parecia que era tudo tão mais puro e verdadeiro.
Não sei se fui eu que mudei ou as coisas de hoje que estão muito diferentes.
Não sei responder. Apenas sei que fui tomado por um sentimento de nostalgia. E hoje eu sinto falta.
Sinto falta dos corinhos antigos, que eram tocados apenas no violão e que mesmo não tendo milhares de arranjos e instrumentos eram suficientes pra alegrar o culto.
Sinto falta do culto de ceia, onde vestíamos a nossa melhor roupa, não pára mostrar que tinha, mas porque a ceia era a cerimônia mais importante e a melhor roupa era para aquele noite.
Sinto falta do evangelho simples que era pregado, a mensagem sem mistérios da cruz, do sacrifício, do filho de Deus que habitou entre nós e se entregou para perdoar nossos pecados.
Sinto falta de quando dar ofertas e dízimos era apenas uma forma de agradecimento e louvor e não uma forma de barganhar com Deus.
Sinto falta de olhar para o lado e ver meus amigos cantando e louvando comigo. Sinto falta dos irmãos que trabalhavam na obra não para aparecer, mas por puro amor a igreja e por gostar de servir.
Sinto falta da comunhão que tínhamos, de quando conhecíamos a todos da nossa comunidade.
Sinto falta do tempo que chegávamos antes do culto começar, para rever os irmãos e conversar.
Sinto falta de quando ficávamos conversando após o culto até se apagarem as luzes...
Enfim, sinto falta de quando tudo era simples.
Hoje me sinto um pouco distante e vazio. Parece que o evangelho que conheci a décadas atrás é tão diferente.
Hoje existem tantas variações, tantas fórmulas, pirotecnias, enfeites. Tudo em nome da fé.
Mas o evangelho puro é tão simples.
Vejo tantas igrejas pregarem que o dizimo é que traz a salvação. Outras dizem que a adoração extravagante é o caminho e várias outras creem que os usos e costumes é o que o evangelho ensina.
Na verdade o evangelho prega o amor. Amor este que tem se esfriado.
Hoje vejo igrejas cheias e abastadas, templos suntuosos e bancos luxuosos. Enquanto a sociedade ao redor está toda deteriorada e perdida. De que adianta a igreja ter riqueza material, se as almas que deveriam ser o alvo e o foco da igreja estão perdidas.
A maioria das denominações de hoje vivem um falso crescimento. A grande maioria não tem se preocupado em resgatar almas e sim em manter o rebanho e com isto se mantém um crescimento natural.
Outras usam uma estratégia mesquinha e ordinária que é arrebanhar fieis de outras denominações e isto tudo gera um mal ainda maior, os oportunistas e os rebeldes, que criam para si igrejas visando autopromoção e uma forma fácil de ganhar dinheiro e fama. Temos visto muito disso nos nossos dias. E isso me faz ter saudade de muitas coisas que já hoje não existem mais.
Os tempos mudaram e eu mudei. Mas o evangelho permanece firme.
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