segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cristão ou evangélico?

Olá Amigos! Tenho visto no Brasil um crescimento sem precedentes dos chamados Evangélicos. Parece estranho me referir assim a este grupo, do qual até pouco tempo atrás eu dizia pertencer. Quem me conhece deve estar se perguntando o que pode ter havido. Será que eu desviei? Será que não estou mais seguindo a Deus?
Nada disso. Apenas não quero mais seguir um padrão de comportamento pré estabelecido.
Não quero bancar o rebelde, aquele que contesta por contestar. A verdade é que essa “religiosidade”, não mais me atrai.
Temos vivido hoje a era das aparências.
Aparentar é mais do que ser. Gritamos, berramos e clamamos. Os fariseus também agiam assim.
Continuo indo na igreja, continuo a fazer o que sempre fiz. A diferença é que não mais faço porque me foi ordenado, mas faço por amor. Continuo a crer em Deus e a minha fé continua ainda mais forte. Porém, deixei de ser evangélico.
Isto pode até não parecer tão profundo, ser apenas uma questão de trocar os rótulos. Mas para mim é sim.
Uma coisa é ser cristão e seguir aos ensinamentos de Cristo. Outra é seguir uma serie de regras e comportamentos que nada mais servem do que pra escravizar.
Você não pode isso, você não pode aquilo. Você tem que se vestir assim. Você pode fazer. Mas por quê? Isso não é de Deus, isso é do mundo. É um dualismo meio que doente. Essas regras lei afastam muitos do verdadeiro evangelho. O evangelho que prega e anuncia a graça. Que anuncia que somos falhos e pecadores, mas que mesmo assim, Deus nos deu uma nova oportunidade. Esse é o verdadeiro evangelho.
Mas o que eu vejo hoje é o evangelho da culpa, da acusação, da separação. Muitas igrejas pregam a separação do mundo. Mas é estranho nos separarmos de algo que foi criado e que existe pela vontade do nosso próprio Deus. O argumento de muitos é que as coisas do mundo contaminam. Mas muitas estão contaminadas pela arrogância, pela soberba e infelizmente, pela hipocrisia. Nos achamos santos e apontamos o dedo aquele que está caído precisando de uma mão amiga. Dizemos-nos amantes de Deus, mas ao invés de uma palavra de consolo, apenas acusamos os erros e segregamos os nossos.
Mas, se não somos do mundo, pra quem pregaremos então? Este mundo que evitamos precisa de nós. Este do qual tentamos nos desvencilhar precisa ser curado. E quem vai trazer este remédio?
Clamamos em alta voz que ganharemos este mundo para Cristo, mas não aceitamos lidar com este mesmo mundo.
Vemos sempre novidades evangélicas que nada remetem ao verdadeiro evangelho e aceitamos por que tem a aparência de santo ou divino. E assim caminha a cristandade.
Afinal, é proibido pensar.

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